Quantos rios
de tinta e milhões de gigabytes foram utilizados para te analisar. Horas de sono perdidas para te ler, “Ai que prazer ter um livro para ler e não o fazer!” este pensamento académico é do teu irmão Fernando Pessoa, grande poeta, mas não sabemos se no seu percurso escolar teve que ler: Os Maias, A Relíquia, O Crime do Padre Amaro, A Ilustre Casa de Ramirez e A Cidade e as Serras etc. Para Fernando Pessoa tudo bem, mas para nós, simplesalunos de electrónica, são muitos integrados para os nossos robots. Lá terá que ser, e o “tem que ser”, tem muita força. (Não escapamos!) tivemos que escolher um dos teus livros.
“Eureka!” descobrimos um desvio à leitura, “O crime do Padre Amaro”, o filme está espectacular! ( Proposta não aceite!) esse filme tem uma história adulterada, nem o Crime do Padre Amaro adivinharam. (Manda quem pode). E lá entramos nós na magia da tua escrita. A descoberta foi aliciante.
Levaste à ficção muito do que aprendeste da vida, segundo se pensa, o facto de seres filho ilegítimo registado apenas com o nome do pai e filho de mãe incógnita, leva-nos a considerar neste afastamento familiar a terrível possibilidade de um incesto, tão bem tratado em Os Maias e na Tragédia da Rua das Flores. Da viagem que efectuaste ao Egipto e à Palestina, viria a nascer a Relíquia. A permanência em
Leiria forneceu-teo cenário para o Crime do Padre Amaro, talvez um dos teus livros mais “feroz”. O desvio da bagagem para Alba de Tormes em Espanha em vez de Tormes em Santa Cruz do Douro, deu luz verde ao conto Civilização, que serviu de rascunho ao romance A Cidade e as Serras.
Enfim, o que importava era chamar a atenção para o caminho da leitura das tuas obras.
Mas amigo Eça, porque não colocas os teus simpáticos livros na internet, com resumos alargados e trabalhos de pesquisa realizados, era só fazer Copy/Paste! (Tentativa anulada!). Tivemos que encontrar estratégias de comunicação, componentes linguísticas, discursivas/textuais e sociolinguísticas etc,etc,etc.
Bolas, Eça! No teu tempo era assim? Não existias como escritor nos programas de Português! Andavas ocupado com a “Questão Coimbrã”, “ A Geração de 70” e “As Conferências do Casino”, na tertúlia dos “Vencidos da Vida”:
Nós, jovens de hoje, também caminhamos para fazer parte dos Vencidos da Vida, mas desta vez, não em termos literários, mais propriamente no de desempregados.
Caro Eça, temos saudades da tua época, do Bom Gosto e do Bom Senso.
Gostamos de te ler. A Turma 2ºE

