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Quem é Almeida Garrett?
Quinta, 28 Maio 2009 16:11

Almeida

Garrett foi um grande impulsionador do Teatro em Portugal. É um tripeiro célebre, Homem de letras, grande romancista, poeta, político, jornalista e dramaturgo. É este último atributo que mais nos interessa, pois, Garrett ao fundar o Conservatório Real de Teatro, dá-se conta que em Portugal desde o século XVI poucas obras de bom teatro português existiam, salvaguardando as de Gil Vicente e António Ferreira, entre outras.

Deitar mãos à obra e utilizando apenas temas portugueses da nossa história, escreveu peças interessantes para serem representadas pelos estudantes do já citado conservatório, tais como: Frei Luís de Sousa, a que neste momento nos está a dar cabo da cabeça; o Alfageme de Santarém, o personagem que previu que D.Nuno Álvares Pereira, um dos 35 filhos do Bálio de Leça, seria o Condestável do Reino e o defensor da Independência de Portugal; a Sobrinha do Marquês, que relata os amores entre o único sobrevivente do massacre da família Távora e a sobrinha do Marquês de Pombal . etc. Este escritor romântico, foi o introdutor desta corrente literária no nosso país com os poemas D.Branca e Camões.

Teve um vida muito atribulada à semelhança dos problemas vividos no país na mesma época. Viveu com angústia o problema de ilegitimidade da sua única filha Maria Adelaide, nascida de uma relação com Adelaide Deville Pastor, cuja morte prematura o deixou com a filha bebé nos braços.



Viveu com a sua época e com a sua gente, foi um Dandy.

Nasceu a 4 de Fevereiro de 1799 nesta urbe tripeira com o nome de João Leitão da Silva, mais tarde adquire oficialmente o nome João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, numa casa construída ao estilo inglês, com um bom número de janelas para favorecer a iluminação de todos os aposentos. Apesar do Porto nesta época, já usufruir de alguns toques de modernismo ,a cidade, quando Garrett nasceu, era, em muitos aspectos, uma terra de cariz medieval, profundamente provinciana quer nos costumes quer nas pessoas. Haveria de ser esta característica dos tripeiros que levaria Garrett anos mais tarde, a comparar o Porto a “um grande aldeão”.

Garrett sempre honrou a sua terra, quando escreveu: “Se na nossa cidade há muito quem troque B por V, há muito pouco quem troque a honra pela infâmia e liberdade pela servidão”.

Mas esta terra nortenha parece não o ter compreendido. Por exemplo, Garrett sempre desejou ser eleito deputado pela cidade que lhe serviu de berço.

Inexplicavelmente, o Porto nunca lhe deu esse prazer, o que levou Garrett a lamentar- -se ao amigo Gomes Monteiro. “ Quanto a mim, sem falsa modéstia nem escrúpulo algum, lhe digo que trago atravessado na garganta o não ser eleito pela minha terra…”. Anos mais tarde ,por volta de 1840, voltou a insistir junto de Gomes Monteiro: “…. Você pode fazer triunfar aí a minha eleição; Eu sou do Porto, dói-me se me não elegerem os meus patrícios porque em verdade mereço-lhe…” O Porto ignorou sempre essas aspirações e nunca deu a Garrett, a honra de o eleger deputado pela sua cidade, honra que não regateou a Alexandre Herculano, que nem sequer era do Porto. Segundo alguns biógrafos do autor de Frei Luís de Sousa, está “alguma ingratidão” do Porto para com Garrett foi “uma das maiores feridas de amor-próprio que ele levou para a sepultura.” Camilo Castelo Branco tentou explicar esta ingratidão: «assentaram os pés de cima sobre os refegos da barriga e regougaram: “chamar ao Porto grande Aldeão! Pois meu voto é que não apanhas.” E nunca o elegeram…»

Terá Camilo Castelo Branco encontrado o âmago do enigma. Estamos de acordo com Camilo.

Garrett morreu a 9 de Dezembro de 1854 e para lhe servir de consolo, partiu ao menos no ano em que é promulgada a legislação no sentido de acabar com a escravatura em Portugal.

Partiste mas deixaste grande obra, nunca serás esquecido.

Os alunos do 1º ano de Informática Trabalho realizado nas aulas de Português.


Adelaide Barreira
Escrito em Quinta, 28 Maio 2009 16:11 por Adelaide Barreira

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