Os problemas dos jovens remonta a longos, longos anos atrás, o conflito entre os velhos e novos já tem venerandas barbas brancas.
Não é fácil para o sénior humano ceder o lugar ao jovem, e a rivalidade entre os dois é sempre nos seguintes termos: “A juventude de hoje, vai destruir tudo aquilo que construímos, depois de nós é o caos!”. Mais ou menos 4 mil anos antes de Cristo, num túmulo egípcio, foi colocada a seguinte inscrição: ”Vivemos numa época decadente e mentirosa. A juventude não tem respeito nenhum pelos seus pais, está podre, impaciente e já não tem controle em si mesma. Troça da sensatez e da experiência dos mais velhos. Os sinais dos tempos anunciam o desaparecimento do género humano e da Terra.”.
Nos Lusíadas o velho do Restelo aparece profético e agoirento na Ribeira das Naus a bradar o cajado contra os jovens marinheiros que iam à descoberta de novos mundos. E maneando a cabeça por três vezes em sinal de descontentamento, assim falou:”-Ó insensatos, vítimas da glória de mandar, da vã cobiça, da vaidade a quem chamamos Fama (nomes que mais não servem do que enganar-vos e que vão acarretar inúmeras desgraças a este reino, como mortes, perigos, crueldades, inquietações, ruína económica, desamparos e adultérios!). A verdade é que nenhum feito insensato e nocivo a humana geração deixa tentar. Mísera sorte! Estranha condição” in Os Lusíadas, Camões.
Já no século XX António Alçada Baptista, publica no jornal o público, em Fevereiro 1994 a seguinte afirmação: “A minha geração ainda foi educada com Alexandre, Napoleão e César, mas de repente reparamos que os heróis são Cristo, Francisco de Assis, Gandhi…etc., que são figuras culturalmente femininos. O que me parece que o amor é a nossa Arca de Noé, neste tempo. O cume do ser a sociedade normalmente procura na angústia, eu acho que é o amor que ele se revela. Um amor que ainda está por descobrir, que não é bem esta guerrilha em que as pessoas andam metidas”.
O problema de Alçada Baptista não é só o conflito entre gerações, mas o confronto entre sexos, pois aposta num futuro no feminino, uma vez que as nossas referências culturais são femininas. Após a 2ª guerra mundial, alguém disse a Churchil que no ano 2015 o mundo seria governado por mulheres, ao que Churchil respondeu: “Ainda?!”.
No século XXI o problema mais grave é o desemprego na juventude. Já Gandhi dizia que “Foi a maquinaria que nos empobreceu, (…) instalaram máquinas que substituíram o trabalho humano.”
Consideramos que as máquinas não têm a culpa de tudo, a vontade política dos mais velhos, a sua incompetência económica, os seus abusos do poder, as suas fraudes, as suas ambições, que não olham a meios para atingir os fins, a destruição da fauna e da flora etc. etc. etc.; E, somos nós os jovens que vamos destruir o mundo caduco que recebemos como herança?
Propomos que: Em vez da guerrilha a paz, em vez do confronto a união. Seguiremos o conselho de Cícero, grande filósofo e político: “Os jovens têm força e não a experiência, os velhos a experiência e não a força. Não se gladiem, juntem-se e sereis imbatíveis.” in de Senectude, Cícero.
Ao longo dos séculos, nunca foram os mais velhos que tentaram mudar o mundo e corrigir o que achavam errado, tiveram a ajuda e o empenho das mentes jovens. Grandes decisões foram tomadas pelo nosso país, das quais fomos pioneiros no Mundo, dois exemplos: As abolições da escravatura e da pena de morte. É com agrado que descobrimos numas pesquisas alguns documentos, nomeadamente uma carta que o escritor francês Victor Hugo escreveu ao jornalista português do Diário de Notícias Pedro Venceslau Aranha, datado de 15 de Julho 1868, do qual transcrevemos algumas passagens: “Sua nobre carta faz-me bater o coração. Eu conhecia a grande notícia; é-me doce receber dela o eco simpático por seu intermédio. Não, não há povos pequenos. Os povos que têm déspotas, fazem lembrar leões que usassem açaimos. (…) Amo e glorifico o vosso belo e querido Portugal. É livre e, por isso, é grande. Portugal acaba de abolir a pena de morte. Conseguir este progresso é dar o grande passo da civilização. A partir de hoje, Portugal está à cabeça da Europa. Vós, portugueses, nunca deixaram de ser navegadores intrépidos. Caminham em frente, ontem no oceano, hoje na verdade. Proclamar princípios é mais belo ainda do que descobrir mundos. Eu grito: Glória a Portugal e, para si, Felicidades! Aperto a sua mão cordial Victor Hugo.
Camões no século XVI com os Lusíadas enalteceu os feitos dos Portugueses, mas também disse que: “Um fraco rei, faz fraca a forte gente”.
No final do século XIX e principio do século XX Fernando Pessoa com a Mensagem segue o exemplo de Camões: “Nem rei, nem lei, nem paz, nem guerra. Define com perfil e ser. Este fulgor braço da terra. Que é Portugal a entristecer.”
Enfim, jovens de Portugal! O que fomos?! O que somos?! E o que seremos?! O futuro está, quer queiramos ou não, nas nossas mãos, nas mãos dos jovens deste pequeno país, que já foi um grande povo e tornou-se infelizmente num reino de homens pequenos. Resta-nos arregaçar as mangas, lutar contra a inércia das mentes retrogadas e cumprir o nosso destino. Construir o Futuro!!!
Na recta final do nosso curso de Electrónica, aqui deixamos a nossa mensagem, com a certeza que saímos ao fim de três anos de uma aprendizagem muito útil às nossas vidas.
Obrigado EPPS por tudo aquilo que fizeram por nós e para nós
Os alunos do 3º ano de Electrónica, do triénio 2006/2009.

