PORTUGUESES e ESPANHOIS / D. SEBASTIÃO e A CRISE DE 1580
Já Camões afirmava que as escaramuças entre Portugueses e Espanhois não são tão graves como a História as cultiva. Houve sempre uma rivalidade mais política do que pessoal. Esta Peninsula Ibérica « Cabeça da Europa»,( basta olhar o mapa via satélite da meteorologia), a cabeça é a Espanha, o rosto é Portugal. Um pensa o outro dá a cara. Na Idade Média a divisão era apenas política,o que não acontecia com a cultura, poetas e trovadores escreviam e cantavam nas duas línguas, a castelhana para os poemas bélicos e o galaico – português para as artes do amor. O que contraria o velho ditado português: « De Espanha nem bom vento, nem bom casamento». Nada mais falso, ao longo dos tempos o intercambio casamenteiro, foi bem produtivo entre os dois países. Nos séculos XV e XVI tanto Gil Vicente como Camões, foram autores de obras bilingues. Entre 1580 e 1640 existiam os dois lados da moeda, de uma banda os briosos portugueses, da outra os ambiciosos ibéricos, cujo lado era sempre o interesse pessoal, escondido nas malhas do interesse público.
Em 1580 só uma mão cheia de patriotas estiveram ao lado de D. Antonio Prior do Crato. A maioria da fidalguia portuguesa combatia nas hostes espanholas. Sessenta anos depois, os filhos destes bravos pseudo portugueses/espanhois revoltam-se contra o domínio filipino e restauram a Independência do País. Não sabemos avaliar os mais patriótas, se o punhado de 1580 se os 40 fidalgos de 1640. Uma coisa é certa, o portuguesinho Duque de Bragança, bem casado com uma linda e corajosa espanhola, que ao dar-se conta da renitência do marido em aceitar a Coroa Portuguesa, esta grande mulher segundo a lenda, instiga D.JoãoIV a ser Rei de Portugal, afirmando:« Mais vale ser uma hora Rainha do que toda a vida Duquesa.» Quanto à lenda do Moço Rei D.Sebastião,filho de uma Infanta Espanhola e do Principe Herdeiro Português, “Há-de vir numa manhã de nevoeiro, salvar o País,” é alimentada pelo povo; Ao longo dos séculos, sempre que Portugal entra em crise, o simbólico D.Sebastião”virá”, sempre com nevoeiro, salvar este lindo canteiro à beira mar plantado. Em Frei Luis de Sousa, a crença no regresso de D. Sebastião, justifica e fortalece a certeza no regresso de D.João de Portugal, que desapareceu em Alcácer-Quibir. A fé sebastianista na boca do escudeiro Telmo, a evocação das palavras de D.João a sua mulher D. Madalena de Vilhena: « Vivo ou morto, Madalena , hei-de ver-vos pelo menos mais uma vez neste mundo.» Esta espécie de ocultismo palpita também no sentimento poético do povo. O aparecimento das poesias proféticas de Bandarra, explica a não aceitação da morte do Rei em Agosto de 1578 em Alcácer-Quibir. A notícia da morte do Rei, foi recebida com estupefacção,prantos e desespero. Tantas esperanças perdidas, ele que foi o rei nascido do milagre, não podia sucumbir assim. Daí as profecias e a esperança nas vagas notícias vindas de Africa, que o monarca podia estar vivo e salvar Portugal do domínio espanhol. Este sentimento de mistério, parece-nos um pouco complicado para a maioria dos mortais, pois, só alguns parecem predestinados a decifrar o sentido das sombras do mundo sensível. O nosso mundo sensível e Portugal só se cumprirão por força da vontade criadora do homem português. Em conclusão a crise pelos vistos é perpétua e infinita. Quanto à rivalidade entre portugueses e espanhois é simbólica. Para os portugueses o arroz e a gasolina estão mais baratos em terras de nuestros hermanos. Logo,económicamente combatemos a crise. Mas parafraseando Camilo Castelo Branco, os portugueses têm: “ Coração, Cabeça e Estomago.” O que nos leva a concluir que, qualquer crise é resolvida com o amor, as ideias e a comidinha, e não há política que possa destruir esta linda rivalidade. Somos Portugueses, Espanhois e Ibéricos, sem fronteiras para o casamento, o pensamento e a sustância. Temos dito.
Texto elaborado nas aulas de português, para uma pequena homenagem à nossa professorinha de Matemática.
Os alunos do 1º ano de Informática

