Nestas coisas da electrónica, podemos afirmar com alguma convicção que não existem limites para a realização de qualquer projecto. O problema está em ter uma ideia verdadeiramente original para pôr em prática. A época dos grandes inventores já passou há muito tempo e, hoje em dia, tudo o que se cria de novo nesta área, é fruto de prolongada investigação.

Contudo, nós professores, sempre que começa um ano lectivo, não deixamos de pensar como seria bom ter um projecto realmente inovador para poder concretizar com os alunos. Surgem sempre muitas ideias que, uma breve pesquisa pela Internet, as fazem passar rapidamente de originais a obsoletas. Assim sendo, enquanto não surge a TAL ideia “pegamos” nos projectos que nos parecem realmente interessantes e acrescentamos um toque pessoal (para satisfação do nosso ego).
O Relógio Virtual é um desses projectos. O nome não é muito revelador das suas características mas o nome original, em inglês, propeller clock (relógio hélice), ainda é menos.
Embora sem certezas, tudo indica que a ideia original remonta a 1995 pela mão de Bob Blick (www.bobblick.com).
Este relógio não tem ponteiros nem dígitos, apenas um conjunto de 7 pontos luminosos (LEDs) alinhados verticalmente, que ao rodar criam a ilusão óptica dos números de um relógio digital.
Quanto a mim, a característica mais importante deste projecto está na extrema simplicidade da sua electrónica. Apenas um pequeno microcontrolador faz praticamente todo o trabalho.
Quanto à mecânica já não se pode dizer o mesmo. Para nós, electrónicos, a mecânica é uma daquelas coisas que se percebe perfeitamente mas, quanto a concretizá-la, é um “bicho de sete cabeças”. Colocar um circuito electrónico a rodar a mais de 1000 rotações por minuto, sem que saltem peças e conseguir, ainda por cima, que o circuito funcione, é um feito prodigioso.
O projecto do nosso relógio é praticamente um clone do relógio de Bob Blick. O nosso toque pessoal está essencialmente na utilização de um globo de iluminação de jardim e na alteração do sistema de alimentação da placa electrónica. Inicialmente o globo foi usado como um processo simples de suporte do motor mas revelou-se importante para a redução de vibrações e aumento do contraste da imagem.
Utilizamos um motor DC de 12V aproveitado de uma impressor HP inutilizada. Para transmitir a alimentação ao circuito usamos o veio do motor e um rolamento isolado do veio. Como o acoplamento não é perfeito, foi necessário colocar um condensador de 0,5 F na placa.
Como foi dito o princípio de funcionamento é simples. Uma coluna de LEDs é colocada em movimento. Quando passa num determinado sítio, um sensor óptico detecta a sua passagem e inicia-se o processo de criar a imagem. Os LEDs vão acendendo e apagando de forma a criarem a ilusão de um painel de 34 colunas e sete linhas. Para que a imagem seja perceptível aos nossos olhos, este processo deve-se repetir 15 a 20 vezes por segundo. O responsável pela criação da imagem é um pequeno microcontrolador – o PIC16F84. A programação original (Bob Blick) foi feita em assembler mas é possível utilizar qualquer tipo de compilador compatível com os micontroladores PIC.
Na Internet é fácil encontrar planos detalhados de vários relógios deste tipo. Ficam aqui alguns endereços:
http://bobblick.com/techref/projects/propclock/propclock.html
http://www.electronixandmore.com/project/propclock/index.html
Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=-6JnAxTXApw
http://www.youtube.com/watch?v=no2_M_b059g
http://www.youtube.com/watch?v=SxvPb3JC11E
